O meu amigo, o jumento
Mais que amigo é um irmão
Que dá um duro arretado
Nas brenhas lá do sertão
Carrega cargas de água
Pr'as muié lavar as mágoa
Que maltrata o coração.
Atrelado na carroça
Puxa um peso, de matar
Às vezes chora sorrindo
Que é pra ninguém lhe notar
Jumento é um bicho danado
Come tudinho calado
"O pão que o diabo amassar"!
Tem cabra macho e malvado
Sem um pingo de vergonha
Como o tal do Agripino
Marido da velha Antonha
Que explora o bicho, a valer
Sorrindo do seu padecer
Pois não há, quem se lh'imponha.
Se eu pudesse, encilhava
Os que maltratam este irmão
Metia a espora no lombo
Até sangrar de montão
Chicoteava os perversos
E nas rimas dos meus versos
Eles não voltavam não!
*soninha*
"Declaração Universal dos Direitos dos Animais"
UNESCO
Artigo 7º
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de
duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora
e ao repouso.