agosto 19, 2011

O Voo da Asa Branca


Quando asa branca voou
Fugindo do meu sertão
Foi pior que punhalada
Dentro do meu coração
Eu fiquei desnorteado
Me faltando até o chão

Já não tenho o meu gado
Nem o amigo alazão
Morreram todos de sede
Feriram meu coração
Deixando uma tristeza
Maior do que o meu sertão

Olhei pra terra vermelha
Um braseiro sem fumaça
Recordei da plantação
Um verde de viço e graça
Falei com o grande Deus:
O que quereis que eu faça?

Se foi pelos meus pecados
Que veio a judiação
Eu peço que me perdoe
Mas não maltrata ele não
Ele é toda a minha vida
Me sustenta o coração

Hoje eu procuro o viço
Que na minha roça tinha
Vejo a terra esturricada
Busco o olhar da Rosinha
Pra aplacar minha sede
De ver a terra verdinha

Ela me olha serena
E vejo no seu olhar
Um riacho se formando
Que nem Deus pode aplacar
É a água que faltava
Pro meu sertão não queimar

Falo pra minha amada
Por favor não chore não
Vamos fazer uma reza
Pra que tal situação
Não dure por muito tempo
E Deus mande a solução

Que adianta eu partir
Te deixando aqui sozinha
Se tu és meu grande amor
A minha doce rainha
Eu fico aqui com você
Tem rapadura e farinha

Vamos juntar nossos filhos
Nós vamos todos rezar
Pedir à Nossa Senhora
Pra esta seca acabar
E assim minha Rosinha
O verde vai retornar!

Igualzinho ao teu olhar!

*soninha*



2 comentários:

LUCONI disse...

Soninha eu li e reli, adoro cordéis, e este fala de forma tão doce e triste da seca do sertão, desta gente sofrida, que apesar de tudo tem esperança amor e fé no coração, lindo demais, beijos Luconi

★Cigana do Oriente disse...

Oi Soninha, aproveitando que tá funcionando agora cedo já entrei com meus 2 perfis rss
Lindos versos do sertão, adorei!